

O voto
A vontade terá chegado quando o cartão já estava na ranhura? Ou por aquelas bandas é preciso pagar para se usar o W.C.? De que tamanho será a gargalhada de quem dispara o flash? Pode ser tudo, mas a atrapalhada não tira os olhos postos do écran, pernas cruzadas e bem fechadinhas, em jeito de tampão, definitivamente, furado...
Olho e ouço a campanha dita eleitoral que nos fere diariamente os sentidos e a alma e vejo esta imagem de descuido, pela pressa dos políticos medíocres que sonham ser governo (sonham porque governar, na nobreza que impõe o significado de tal palavra, mesmo eleitos "democraticamente", jamais conseguirão). O que lhes transpira não são ideias ou propostas de governação, antes dejectos, líquidos ou sólidos, que escondem as reais intenções dos lobbies que os transportam em limousines até à cadeira do poder.
Haverá, apesar dos sinais destes tempos, quem tenha ideias e as queira transmitir como mensagem de esperança para um futuro que diga não ao pragmatismo, essa praga que invadiu o mundo dito ocidental nos anos 80 e teve efeito de eucalipto, secando as opiniões divergentes que existiam à sua volta. Mas os portadores desses ideais de esperança não têm meios para ampliar as vozes, perdendo-se na poluição provocada pelos dejectos que vão sendo espalhados pelos outros, os dos lobbies.
Já pensei seriamente que o voto em branco, na forma que o genial Saramago o descreveu, poderia ser solução, houvesse a certeza de que a mensagem chegava a todos. Como temos ainda o problema da poluição para resolver (há esperança, até o Sado já foi despoluído), o melhor será optar pelas vozes de protesto. É que por lá, pela Assembleia da República, por lei, eles podem fazer ouvir-se. Nem que seja só por um bocadinho.
Fernando Rogério
2 comentários:
Simplesmente genial, no entanto, julgo que elevaste muito a fasquia e eu não consigo acompanhar. A ver vamos.
Mano Velho
É claro que consegues, disso não tenho dúvidas. Continuo é à espera dos outros mecos, se mais não for, pela visita, que seria mais do que agradável.
Veremos o que nos diz o futuro... agradável.
Fernando, o outro meco
Enviar um comentário