3.09.2005

Porto lento e atordoado

Nada se parece com o Porto! Nada mesmo, mas também não era para parecer.

O Porto ocupa um espaço Universal e, assim sendo, tem uma vida em movimento. Há que ter cuidado porque vida é vida, para o bem e o mal, e a tendência de quem não se cuida é a morte.

Petalas caídas, folhas soltas, ao vento desordenadas, agigantam o desfazer da harmonia gerada por aquele gosto bairrista da diferença; que se esvai cada vez mais por falta de gosto, jeito ou simplesmente querer.

Triste inquietude que toma de soslaio o prazer de ser residente e mesmo natural, ao avistar paredes que se decompõem em pó, que adivinham o deserto humano a que conduz, com o grave problema da alienação sem hasta pública, perdendo, para sempre, o que tão difícil foi construir partindo do Burgo.

Pulsa pouco ou nada na noite triste e fria. Forças menores alimentam-se do medo dos que têm a perder. Falta luz e vida como outrora. Trabalho de artífice em cada rua; escola que quase não existe por falta de juventude, que alimente; pelo contrário povo envelhecido, que não se desloca - por falta de tudo.

E assim vai esta cidade adormecida, de água rodeada de um rio e mar, bela mas triste.

Manuel Joaquim

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