

Era ainda a Porto'2001 um projecto que alimentava a ingenuidade dos que pensavam que nada voltaria a ser igual depois da maré viva de cultura que haveria de inundar a cidade e criar um estado de graça na mente dos portuenses... É claro que não houve maré, apenas algumas ondas bem direccionadas pelos amigos de sempre, dando origem às tretas do costume: muito antes da abertura já as bilheteiras estavam esgotadas… O costume, mas também não é esse o motivo da postagem, antes as obras que começaram quando a candidatura não era mais do que isso, algumas delas ainda estão por acabar. Pois bem, lembro o olhar assombrado com que fiquei ao verificar a reconstrução da linha do eléctrico na Praça da Batalha e na Rua 31 de Janeiro. Era uma ideia bonita, a merecer todo o carinho de quem usufruiu do privilégio de viajar ao lado do condutor, olhando fascinado para a simplicidade de condução do veículo. Afinal… estão lá os trilhos, e nem dão mau aspecto, e onde pára o eléctrico? Tanto como servir de meio de transporte a uma cidade carente de serviços colectivos eficazes, poderia ser mais um meio para cativar os turistas que descobrem o Porto. No seu passo lento, em jeito de passeio, seria uma óptima (e segura) forma fazer um roteiro que permitisse um olhar calmo da cidade. Depois das obras terminadas, claro!
Fernando Rogério
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